Gestão correta de estoque reduz necessidade de capital de giro

Gestão correta de estoque reduz necessidade de capital de giro

No final da década de 80 e início dos anos 90, criou-se uma cultura nacional onde o estoque era visto como aplicação financeira, e realmente era. Com altos índices de inflação, os estoques chegavam a dobrar de valor em pouquíssimo tempo. Com o passar dos anos e a estabilização da economia, os índices de inflação diminuíram e o que era viável e rentável, hoje em dia não é mais.

Estoques altos aumentam a necessidade de capital de giro, impossibilitando a utilização dos recursos em outras áreas e diminuindo a distribuição de resultados para os sócios. Em contrapartida, estoques em níveis baixos podem prejudicar as vendas e operação da empresa.

Para que nenhum dos cenários ocorra, é necessário que a gestão do estoque seja realizada da maneira correta. O estoque deve ser utilizado para minimizar os fatores imprevisíveis, como: aumento repentino nas vendas, consumo de matéria prima maior do que o esperado, atraso na entrega dos fornecedores, entre outros.

Para uma gestão de estoque correta é preciso levar em consideração alguns pontos importantes, como por exemplo: Entendimento de todos os processos da cadeia produtiva – É preciso estimar o tempo e evolução de cada processo, o fluxo, e os principais gargalos da cadeia para entender a demanda de matéria-prima em cada momento; Inventário – O controle sobre todos os itens que estão no estoque é essencial para gerenciar a compra das matérias-primas ou venda dos produtos acabados. Sem controle a empresa começa a se perder no processo de compra e venda, prejudicando sua rentabilidade; Projeção de vendas – Importantíssimo para a gestão de estoque, a projeção das vendas deve ser desenvolvida para o curto e médio prazo, levando em consideração a sazonalidade e o potencial de vendas no mercado de atuação. Com isto, é possível prever com antecedência a necessidade de compra de matéria-prima para atender a demanda do mercado e, caso a demanda seja maior que capacidade de produção, estocar produtos acabados; Prazo de entrega dos fornecedores – É preciso ficar atento quanto ao prazo de entrega dos fornecedores e possíveis atrasos. O estoque deve funcionar como margem de segurança, justamente para atrasos não prejudicarem o andamento da operação; Fornecedores – A pulverização das compras em diversos fornecedores minimiza os riscos operacionais e podem fazer a necessidade de estoque diminuir, caso os novos fornecedores tenham prazos de entregas menores.

Em suma, estoque não é bom no ponto de vista financeiro, mas extremamente necessário no ponto de vista operacional, devendo ser acompanhado de perto para que o nível não exceda a necessidade operacional e prejudique a rentabilidade da empresa.

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* Gustavo Lepore é Coordenador de finanças corporativas da GlobalTrevo Consulting.

Artigo publicado no site Startupi: leia aqui.

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